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Cheiro da terra molhada

Cheiro da terra molhada

Sabe aquele cheiro agradável e familiar de terra molhada quando chove, especialmente depois de um longo período de seca? Não é da chuva, mas de uma mistura de vários compostos químicos chamada de petrichor (do grego petros = pedra e ichor = o fluido que flui nas veias dos deuses da mitologia grega). Esse odor também ocorre quando escava-se o solo. Ele tem origem em um composto orgânico volátil de nome geosmina (do grego "geo" = terra e "osme" = odor) produzido por bactérias que vivem no solo.

A geosmina, responsável pelo aroma inconfundível da terra molhada após a chuva, faz parte de uma grande família de compostos naturais chamados terpenóides, muitos deles altamente aromáticos.

Embora a produção de geosmina ocorra entre diferentes microrganismos terrestres e aquáticos, e faça parte da vida cotidiana, sua função biológica é pouco compreendida. Os pesquisadores ainda não explicaram a função biológica exata deste produto natural. Evidências científicas sugerem que esta molécula pode desempenhar um papel significativo nos ciclos de vida microbianos e nas interações dentro dos ecossistemas. Pode, por exemplo, funcionar como um sinal químico (atraente ou repelente) ou como um metabólito especializado contra estresses bióticos e abióticos. Dessa forma, a geosmina pode servir como um atrativo para animais auxiliando na localização de ninhos ou fontes de água. E para outros pode ser um sinal de alerta.

O olfato humano é muito sensível ao odor, podendo detectá-lo em concentrações muito baixas. O aroma pode evocar memórias e sensações de nostalgia, animação e sensação revigorante associada à chegada das chuvas. Tanto que a essência de terra molhada já é possível adquirir no mercado da perfumaria!

Além do cheiro de terra molhada, a geosmina pode estar presente em alimentos e na água, nesse caso é considerada um contaminante, associada ao cheiro de mofo e ao gosto terroso. Contaminantes são agentes biológicos, físicos ou químicos introduzidos no alimento de forma não intencional e que podem trazer danos à saúde. Embora a geosmina não seja tóxica para os humanos, sua presença não é desejável nos alimentos. Ela pode ser um contaminante comum na água, vinho e peixes. Nos vinhos, um cheiro desagradável de lama ou terra, com um toque vegetal está relacionado à sua presença. Outro exemplo são os grãos de café, já que a geosmina pode conferir um sabor de mofo, o que é considerado um defeito, diminuindo a qualidade do produto. Também é a responsável pelo aroma característico da beterraba.

A geosmina pode estar presente em corpos d´água eutrofizados, ou seja, que receberam excesso de nutrientes como fósforo e nitrogênio, por exemplo. Isso ocorre quando há excesso de despejo de esgoto não tratado ou sedimentos de erosão do solo. A eutrofização de ambientes aquáticos estimula o crescimento de algas, como as verde-azuladas (cianobactérias), que crescem rapidamente e libram alguns compostos orgânicos naturais, entre elas a geosmina que proporciona à água o gosto e odor característicos de “terra”. Por isso sua detecção e eliminação é uma prioridade ambiental e de qualidade dos alimentos. Mas seu perfume é muito bem-vindo durante uma caminhada pelo campo após uma chuva.

 

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